A inscrição no Exame de Ordem Unificado é feita na página de acompanhamento da Fundação Getulio Vargas, a FGV, para a edição escolhida. Você precisa conferir a condição acadêmica, preencher os dados, escolher cidade e área da segunda fase, solicitar recursos quando necessário e resolver a taxa. Aprovar na primeira fase não significa concluir o exame nem receber automaticamente a carteira da OAB.
O exame é organizado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Ele tem duas fases e uma possibilidade de reaproveitamento da primeira, em condições próprias. Este guia explica o caminho completo de inscrição e acompanhamento, usando o edital do 47º Exame como exemplo identificado, sem tratar o calendário dele como prazo de uma nova edição.
Quem pode fazer: confira a situação acadêmica e a data exigida
A seleção admite bacharéis em Direito e estudantes que se enquadrem na condição prevista no edital. Para quem ainda está estudando, não basta dizer que está “quase terminando”. É preciso verificar quais semestres ou ano do curso são aceitos e até que data essa situação deve ser comprovada.
No edital do 47º Exame, o item 1.4.3 admite estudantes que comprovem matrícula nos últimos dois semestres ou no último ano do curso até o fim do segundo semestre de 2026. Esse marco deve ser conferido no edital da edição pretendida. Uma resposta genérica ou antiga que mencione outro momento não substitui a regra específica publicada para o exame.
Peça à faculdade uma declaração que mostre sua situação com clareza, se precisar esclarecer o enquadramento. O documento deve ajudar a identificar o curso, a matrícula e a etapa acadêmica. Não use uma previsão pessoal de conclusão como se fosse prova de matrícula na etapa exigida.
Se seu diploma foi emitido no exterior, confira as condições de revalidação e o prazo aplicável. Se existe dúvida sobre situação incompatível com o exercício da advocacia ou outro requisito, procure a orientação oficial antes de pagar. A aprovação na prova não corrige a falta de uma condição exigida para aproveitar o resultado.
Como encontrar a edição certa na FGV
Abra o portal oficial do Exame de Ordem e selecione o número da edição. Os números podem aparecer por extenso, em algarismos romanos ou como ordinal. Confirme o número dentro do documento antes de baixar edital, boleto ou formulário.
Na mesma página podem existir prova objetiva, segunda fase, reaproveitamento e resultados. Escolha a entrada correspondente à ação que você pretende fazer. Quem vai prestar o exame completo não deve entrar num pedido de reaproveitamento destinado a aprovados da edição anterior.
Salve o edital de abertura, os anexos e as alterações publicadas. Uma mudança de cronograma pode aparecer depois do primeiro documento. O portal da OAB publicou atualização para os 47º e 48º Exames; isso reforça a necessidade de usar a informação oficial mais recente da edição, em vez de uma imagem de calendário encaminhada por grupo.
Monte uma lista de datas que realmente exigem sua ação: inscrição, isenção, pagamento, pedido de atendimento, consulta ao local, prova e recurso. Não precisa decorar o documento inteiro. Precisa saber o que pode perder por deixar uma etapa passar.
Primeira e segunda fase: qual é a diferença?
A primeira fase é uma prova objetiva, com alternativas para marcar. Ela cobra várias áreas do Direito e regras da profissão. A segunda fase é uma prova escrita ligada à área escolhida: você redige uma peça profissional e responde a questões sobre situações jurídicas.
No 47º Exame, a objetiva tem 80 questões, sem consulta, e a segunda fase reúne uma peça e quatro questões. O edital estabelece a pontuação necessária e as regras de correção. Para a primeira fase dessa edição, a aprovação exige pelo menos 40 pontos; para a segunda, pelo menos 6 pontos, sem arredondamento.
Esses números ajudam a entender o formato, mas não explicam sozinhos como se preparar. Na objetiva, você precisa administrar tempo entre leitura, resolução e preenchimento da folha. Na segunda fase, precisa identificar o problema e organizar uma resposta adequada à área escolhida.
Não deixe para pensar na área da segunda fase só depois de aprovar na primeira. A escolha pode ser exigida já na inscrição. Confira também materiais permitidos em cada fase: uma permissão de consulta na prova escrita não vale para a objetiva.
Cidade, seccional e área: três escolhas diferentes
A seccional é a representação da OAB no estado ou no Distrito Federal. A cidade é o município de aplicação da prova. A área é o ramo do Direito da prova prático-profissional. Elas aparecem próximas no formulário, mas cumprem funções diferentes.
Antes de escolher a cidade, pense no deslocamento nos dois dias de prova. Se precisa viajar, estime transporte e hospedagem. Veja quais cidades estão disponíveis e como o edital trata a aplicação quando houver mudança ou necessidade de outro local.
Na escolha de área, o 47º Exame oferece Direito Administrativo, Civil, Constitucional, Empresarial, Penal, do Trabalho e Tributário. Não há uma área que seja a melhor para todo mundo. A opção mais útil é a que combina sua familiaridade, capacidade de resolver peças e tempo de preparação.
Compare sua experiência com tarefas concretas. Você consegue identificar os pedidos numa questão trabalhista? Tem prática com recursos e medidas na área penal? Consegue localizar as regras tributárias necessárias? Uma nota boa numa disciplina da faculdade ajuda, mas não substitui testar o formato da prova.
Confira se existe período para mudar a escolha e até quando. Depois de salvar, consulte o comprovante. Não presuma que responder a prova de outra área será aceito porque você se arrependeu da opção registrada.
Como preencher a inscrição sem deixar pendência
Separe CPF, documento de identidade, dados da faculdade, contato e as escolhas que fez. Use e-mail e telefone que você realmente acompanha. Confira o nome como aparece nos seus documentos e veja como corrigir diferença de cadastro, se houver.
Entre na edição correta e preencha cada campo. Quando a tela pedir uma declaração sobre escolaridade ou condição pessoal, só confirme depois de entender o que está dizendo. Não marque uma opção apenas porque ela permite avançar.
Revise estas informações antes de concluir:
- número da edição e tipo de pedido;
- CPF, nome e dados de contato;
- condição acadêmica declarada;
- seccional e cidade escolhidas;
- área da prova prático-profissional;
- solicitação de atendimento ou nome social, quando aplicável;
- situação da taxa ou do pedido de isenção.
Depois de enviar, salve número de inscrição e resumo. Se aparece erro após o clique final, entre na área de acompanhamento e veja se o registro existe. Não refaça tudo sem antes conferir como a edição trata inscrições múltiplas.
Organize os arquivos numa pasta com o número do exame. Para documentos enviados pela internet, veja como evitar PDF ilegível ou rejeitado. Abrir o arquivo antes do envio ajuda a detectar página cortada, foto desfocada ou documento incompleto.
Isenção: não basta ter o NIS
O pedido de isenção tem requisitos e documentação próprios. A edição pode considerar registro no Cadastro Único e exigir documentos da situação econômica. Não suponha que informar o Número de Identificação Social, o NIS, encerra o pedido.
Leia a lista de documentos por situação: quem trabalha, quem está sem emprego, quem tem companheiro e quem precisa apresentar declaração. Se um documento não existe no seu caso, veja qual declaração ou alternativa o edital permite. Não envie um arquivo em branco para ocupar o campo.
Também confira se a declaração precisa ser assinada e qual modelo deve ser usado. Uma informação correta sem assinatura, quando exigida, pode continuar incompleta. Da mesma forma, juntar documentos pessoais não prova renda por si só.
Acompanhe resultado preliminar, prazo de contestação e decisão final. Se a isenção for negada, confira a possibilidade e o prazo de pagamento. O protocolo do pedido mostra que você solicitou o benefício, não que a participação foi liberada.
Taxa e confirmação do pagamento
Gere a cobrança na página oficial da edição. Confira valor, identificação e vencimento. Se usar banco pelo celular, veja se a operação foi concluída; um agendamento para depois do prazo pode não servir.
Guarde o comprovante de pagamento e consulte a situação na FGV. O reconhecimento pode depender de processamento. Se a taxa saiu da conta e o sistema não atualizou no período indicado, reúna número de inscrição, data, valor e documento bancário para o atendimento.
Não pague novamente apenas para ver se aparece mais rápido. Primeiro confirme a orientação da banca. Uma segunda cobrança pode não resolver o registro e ainda gerar gasto desnecessário.
Se o problema for na página de inscrição ou de recurso, a OAB orienta contato com a FGV pelos canais publicados. Registre mensagem e horário do erro. O atendimento ajuda a tratar o problema, mas uma mensagem enviada não deve ser confundida com inscrição concluída ou prazo prorrogado.
Atendimento especial e nome social
Se você precisa de um recurso para realizar a prova, faça o pedido na etapa indicada. Descreva a necessidade conforme o formulário e envie o documento exigido. Não espere chegar ao prédio para solicitar algo que depende de preparação anterior.
Acompanhe a resposta. Solicitar atendimento não significa que todos os recursos foram aceitos. Se o resultado for diferente do pedido, veja a forma e o prazo de contestação. Para nome social, confira o procedimento próprio da edição, porque pode envolver documento, requerimento ou canal específico.
Não copie automaticamente o caminho usado no Enem ou em outro concurso. Cada exame organiza o pedido de um jeito. Guarde o protocolo da solicitação separado do comprovante geral da inscrição, para conseguir mostrar qual recurso foi pedido e quando.
Antes da prova: local, documento e material
Quando a consulta estiver disponível, confira endereço completo, prédio, horário e documento de identificação permitido. A cidade que você escolheu não é o endereço da sala. Planeje transporte com margem para chegar antes do fechamento informado.
Veja a lista de objetos e materiais permitidos. Na segunda fase, confira regras de legislação, anotações e marcações; possuir um livro de legislação não garante que ele esteja adequado à prova. Faça essa conferência antes de sair de casa, quando ainda dá tempo de retirar material proibido.
Na primeira fase, pratique com provas anteriores para conhecer o tempo de leitura e o preenchimento das respostas. Use a prática para descobrir onde perde tempo, não só para contar acertos. Uma questão resolvida no rascunho que não foi marcada corretamente na folha não ajuda na pontuação.
Como funciona a repescagem
O reaproveitamento permite, nas condições publicadas, usar a aprovação na primeira fase para fazer a segunda fase do exame imediatamente seguinte. O edital do 47º Exame prevê esse aproveitamento uma única vez, mediante o procedimento e a taxa correspondentes.
Ele não é um crédito sem prazo para usar em qualquer edição. Abra o edital complementar, confira de qual exame vem a aprovação, qual exame recebe o pedido e como registrar a opção. A área e as possibilidades de mudança também precisam seguir esse documento.
Se não passou na segunda fase, anote a data em que o edital complementar será publicado e acompanhe a abertura. Não suponha que a inscrição integral será convertida automaticamente em reaproveitamento. As entradas e as cobranças podem ser diferentes.
Por fim, aprovação no exame e inscrição profissional na OAB são etapas separadas. Depois do resultado definitivo, veja a emissão do certificado e as exigências da seccional para o registro. Até lá, mantenha resultados e convocações organizados: a ação correta depende sempre da fase em que você está.
